sexta-feira, 3 de junho de 2016
Papa Francisco: “O nosso povo perdoa muitos defeitos nos padres, exceto o de serem agarrados ao dinheiro”
Na terceira meditação dessa tarde o Papa Francisco refletiu sobre as obras de misericórdia na sua dimensão social, no amor pelos pobres, na postura do sacerdote no confessionário.
Dessa vez a meditação foi na Basílica São Paulo fora-dos-muros.
Perdão
“O nosso povo perdoa muitos defeitos nos padres, exceto o de serem agarrados ao dinheiro. E não é tanto pela riqueza em si, mas porque o dinheiro nos faz perder a riqueza da misericórdia. O nosso povo pressente os pecados que são graves para o pastor, que matam o seu ministério porque o transformam num funcionário ou, pior, num mercenário, e, diversamente, os pecados que são, não diria secundários, mas possíveis de suportar, carregar como uma cruz, até que o Senhor finalmente os purifique, como fará com a cizânia. Ao contrário, o que atenta contra a misericórdia é uma contradição principal: atenta contra o dinamismo da salvação, contra Cristo que «Se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza»”.
Francisco exorta então a deixar-se “misericordiar” por Deus, “em todos os aspectos de nossa vida e a sermos misericordiosos com os outros em toda a nossa atividade”. Para nós – recordou – “a misericórdia é o modo de transformar toda a vida do povo de Deus em sacramento.
Ser misericordioso não é apenas “um modo de ser”, mas “o modo de ser”.
Este olhar de misericórdia, que “vê o que falta para colocar imediatamente o remédio”, deve ser ensinado e cultivado “desde o Seminário e deve alimentar todos os planos pastorais”, defendeu o Pontífice.
Pastoral
O Papa recorda que nas “nossas obras de misericórdia, sempre somos abençoados por Deus e encontramos ajuda e colaboração no nosso povo”. E se algum projeto, obra ou plano pastoral não funciona, não avança, é porque lhe falta misericórdia, não é abençoado:
“ Falta aquela misericórdia que tem a ver mais com um hospital de campanha do que com uma clínica de luxo; aquela misericórdia que, apreciando algo de bom, prepara o terreno para um futuro encontro da pessoa com Deus, em vez de a afastar com uma crítica patente…”.
Sempre na linha da misericórdia, o Papa propôs uma oração “com a pecadora perdoada”, para pedir para “ser misericordiosos na Confissão”. “No seu diálogo com a mulher – diz Francisco – o Senhor abre outros espaços: um é o espaço da não condenação:
“Onde estão os que te condenavam?” e o outro é o “espaço livre”: “Doravante não peques mais”. “Esta – disse Francisco – é a delicadeza da misericórdia, que olha com piedade o passado e encoraja para o futuro”:
“Esta imagem do Senhor que põe as pessoas a caminhar é muito apropriada: Ele é o Deus que Se põe a caminho com o seu povo, que faz avançar e acompanha a nossa história. Por isso, o objeto que visa a misericórdia é muito concreto: tem em vista aquilo que impede um homem ou uma mulher de caminharem no seu lugar, com os seus queridos, ao seu ritmo, para a meta aonde Deus os convida. O que faz pena, o que comove é que uma pessoa se perca, ou que fique para trás, ou que erre por presunção. Que esteja – digamos – fora do seu lugar; que não esteja à disposição do Senhor, disponível para a tarefa que Ele quiser confiar-lhe; que uma pessoa não caminhe humildemente na presença do Senhor”.
Confissão
Francisco passa então “ao confessionário”. Os sacerdotes, disse ele, são “sinal e instrumento” de um encontro. “Sinal, quer dizer que devemos atrair” e o instrumento “vale por sua eficácia, por estar ao alcance e incidir na realidade de forma concreta, adequada.
Somos instrumentos, se verdadeiramente as pessoas se encontrarem com Deus misericordioso; a nós cabe “fazer com que se encontrem”, que fiquem face a face. O que fizerem depois é lá com eles”.
Deve ficar claro em relação ao nosso ministério – reiterou Francisco – que devemos “ser sinal e instrumento para que eles se encontrem. Fique claro que não somos o pai, nem o pastor, nem o samaritano.
Antes, como pecadores, estamos do lado dos outros três. O nosso ministério tem de ser sinal e instrumento daquele encontro. Por isso, estamos situados no âmbito do mistério do Espírito Santo, que é quem cria a Igreja, quem faz a unidade, quem reaviva de cada vez o encontro”.
Essencial
Outras características próprias dum sinal e dum instrumento – precisou o Pontífice – são a sua “não-autorreferencia” – pois “ninguém fica no sinal, logo que compreendeu a significação” – e a sua disponibilidade: “que o instrumento esteja pronto para ser usado”, que seja visível.
Mas a essência do sinal e do instrumento é “serem mediadores”: “Talvez esteja aqui a chave da nossa missão neste encontro da misericórdia de Deus com o homem”:
“Devemos aprender com os bons confessores, com aqueles que têm delicadeza com os pecadores bastando-lhes meia palavra para compreenderem tudo, como Jesus com a hemorroíssa, e naquele mesmo momento sai deles a força do perdão. A integridade da confissão não é uma questão de matemática. Às vezes, a vergonha fica-se a dever mais ao número do que ao nome do próprio pecado. Mas, para isso, é preciso deixar-se comover perante a situação das pessoas – às vezes, é uma mistura de coisas, de doença, de pecado e de condicionalismos impossíveis de superar – como Jesus que Se comovia ao ver as pessoas, sentia-o nas entranhas, nas vísceras e, por isso, curava; e curava mesmo que o outro «não lho pedisse» como aquele leproso, ou andasse às voltas como a Samaritana, que era como o pardal: piava num lado, mas tinha o ninho noutro”.
Devemos também – acrescentou o Papa – “aprender com os confessores capazes de fazer com que o penitente sinta vontade de emenda dando um pequeno passo em frente, como Jesus que dava uma penitência suficiente mas sabia apreciar quem voltava para agradecer, quem fazia mais”.
Ao concluir o reflexão sobre a Confissão, Francisco deu dois conselhos:
Curiosidade
“O primeiro, nunca adotem o olhar do funcionário, de quem só vê «casos» e livra-se deles. A misericórdia livra-nos de ser um padre juiz-funcionário que, à força – digamos – de tanto julgar «casos», perde a sensibilidade pelas pessoas, pelos rostos. A regra de Jesus é «julgar como queremos ser julgados». Na medida íntima que uma pessoa emprega para julgar se a trataram com dignidade, se a ignoraram ou maltrataram, se a ajudaram a levantar-se…, está a chave para julgar os outros (tenhamos presente que o Senhor confia nesta medida, tão subjetivamente pessoal). E não tanto porque essa medida seja a «melhor», mas porque é sincera e, a partir dela, pode-se construir uma boa relação. O segundo conselho: Não sejais curiosos no confessionário”.
Ao chegar à “dimensão social das obras de misericórdia”, o Papa propôs aos sacerdotes a meditação de “alguns dos parágrafos finais dos Evangelhos”, pois lá “o próprio Senhor estabelece a conexão entre o que recebemos e o que devemos dar”.
Após citar algumas passagens bíblicas, Francisco afirmou que “as ações do Senhor, as suas obras não são meros fatos mas sinais em que se manifestam, de forma pessoal e única por cada um, o seu amor e a sua misericórdia.
Diversidade
Podemos contemplar o Senhor, que nos envia a fazer este trabalho, através da imagem de Jesus misericordioso, tal como foi revelada à Irmã Faustina. Naquela imagem, podemos ver a Misericórdia como uma única luz que vem da interioridade de Deus e que, ao passar pelo coração de Cristo, sai diversificada com uma cor própria para cada obra de misericórdia”.
“As obras de misericórdia são infinitas – disse o Papa – cada uma com o seu cunho pessoal, com a história de cada rosto. Não são apenas as sete corporais e as sete espirituais em geral”. “E a misericórdia – sublinhou – é fecunda e inclusiva”:
“É verdade que estamos habituados a pensar nas obras de misericórdia uma a uma e enquanto ligadas a uma obra: hospitais para os doentes, sopa dos pobres para os famintos, abrigos para os que vivem pela estrada, escolas para quem precisa de instrução, o confessionário e a direção espiritual para quem necessita de conselho e perdão… Mas, se as olharmos em conjunto, a mensagem que daí resulta é que a misericórdia tem por objeto a própria vida humana na sua totalidade. A nossa própria vida, enquanto «carne», é faminta e sedenta, carecida de vestuário, casa e visitas, bem como de um enterro digno, coisa que ninguém pode fazer para si mesmo. Mesmo o mais rico, ao morrer, fica reduzido a uma miséria e ninguém leva atrás do cortejo fúnebre o camião com a mercadoria da casa mudada. A nossa própria vida, enquanto «espírito», precisa de ser educada, corrigida e encorajada (consolada). Temos necessidade que outros nos aconselhem, perdoem, apoiem e rezem por nós”.
Sentido de Cristo
Também na família – observa o Papa – praticam-se estas obras de misericórdia de forma tão justa e desinteressada que nem se dá por ela, mas basta que, numa família com crianças pequenas, falte a mãe para que tudo fique na miséria. A miséria mais absoluta e cruel é a duma criança na rua, sem pais, à mercê dos abutres”.
Por fim Francisco a criar uma cultura de misericórdia – que é bem diferente de uma cultura de beneficência – através do “agir”. E “como sacerdotes, peçamos duas graças ao Bom Pastor: a de nos deixarmos guiar pelo sensus fidei do nosso povo fiel e também pelo seu «sentido do pobre». Ambos os «sentidos» estão ligados com o seu «sensus Christi», com o amor e a fé que o nosso povo tem por Jesus”.
Por fim, o Papa deu algumas recomendações aos sacerdotes: não deixar de rezar, “mesmo que se adormente diante do Tabernáculo”; deixar-se olhar por Nossa Senhora e olhá-la como Mãe; não perder o zelo e a proximidade com as pessoas e não perder o senso se humor.
(Fonte: Rádio Vaticano)
Ela morreu durante o parto de sua filha, mas um milagre surpreendente aconteceu Às 39 semanas de gestação, as contrações começaram. O que parecia ser o início de um parto normal se transformou num caso de vida ou morte.
Às 39 semanas de gestação, as contrações começaram. O que parecia ser o início de um parto normal se transformou num caso de vida ou morte.
Quando Melanie e Doug Pritchard se preparavam para ter o primeiro filho, eles procuraram um médico que fosse pró-vida, para ter certeza que ele lutaria pela vida de seu bebê e dela se necessário. Essa decisão fez toda a diferença. Seu primeiro filho Brady nasceu de parto normal e tudo foi bem.
Às 39 semanas de gravidez da segunda filha, livro, professora universitária, começou a sentir contrações. Seu marido Doug a acompanhou até o hospital local na cidade de Phoenix, estado do Arizona, nos Estados Unidos, para o que parecia ser o início de mais um parto normal.
Já no hospital, após verificar que o bebê estava em posição para nascer, o obstetra aguardou até que as contrações aumentassem e finalmente rompeu sua bolsa.
Foi então que algo terrível aconteceu: Mesmo com as funções vitais parecendo normais, Melanie começou a sentir tonturas, náuseas e teve um desmaio.
Enquanto a enfermeira verificava o que havia de errado, os batimentos cardíados e a pressão arterial de Melanie chegaram a zero, e ela ficou totalmente azul. Os batimentos cardíacos e a pressão do bebê, que ainda não havia nascido, também começaram a cair rapidamente. O hospital então emitiu o diagnóstico conhecido no meio médico americano como “Código Azul”, declarando Melanie clinicamente morta, com o bebê ainda dentro de seu corpo. A correria então começou para salvar o bebê, e uma cesariana de emergência foi iniciada.
Doug, no mesmo instante, começou a orar para que sua esposa e filha fossem salvas de alguma forma. Ele conta que nunca havia se sentido tão desesperado e com medo em toda sua vida. Ele orou a Deus algo como: “Senhor, eu sei que isso é mais do que posso suportar, o que significa que tu tens um plano e um propósito com isso tudo, e eu confio em Ti; mas, por favor, se for da Tua vontade, permita-me abraçar minha esposa novamente”.
Logo em seguida, ele começou a contatar a família e amigos implorando para que orassem pela esposa e filha. Família e amigos compartilharam os pedidos de oração nas mídias sociais. Enquanto os pedidos de oração cresciam viralmente e uma pequena multidão se aglomerava no hospital – a situação de Melanie e sua bebê estiveram entre os 100 assuntos mais comentados no Google e Twitter naquele dia 28 de julho de 2010 – em 15 horas, mais de 150 mil pessoas estavam orando e compartilhando a situação com o mundo.
Felizmente o time de médicos foi capaz de salvar o bebê enquanto outro time tentava ressuscitar Melanie usando um desfibrilador por 4 vezes e massagem cardíaca ininterruptamente. Sem sucesso, ela foi considerada morta por 10 minutos até que um médico percebeu uma batida cardíaca falha e fraca, ainda sem pulso. Eles recomeçaram imediatamente o ressuscitamento que durou mais de 90 minutos, até que a pressão voltou a subir lentamente. Embora os médicos houvessem lhe estabilizado,ela ainda apresentava estado gravíssimo, e eram necessárias outras cirurgias, na tentativa de salvar sua vida.
A equipe médica então anunciou aos familiares aglomerados na sala de espera que Melanie havia sofrido um embolismo do líquido amniótico e uma consequente parada cardíaca, e aconselhou que preparassem o adeus.
Enquanto isso, Doug foi visitar sua filha no berçário que havia nascido de cesariana, sem saber se sua esposa estava viva ou morta. As enfermeiras entraram no local e lhe perguntaram qual seria seu nome. Ele respondeu, “Gabriella, a heroína de Deus”.
Os médicos explicaram a Doug que sua esposa teve um embolismo do fluido amniótico, que escapou do útero durante o rompimento da bolsa e entrou em sua corrente sanguínea chegando ao seu coração, o que lhe causou uma parada cardíaca. Ela também apresentava sangramento interno decorrente da cesariana. A previsão era de que ela teria sequelas neurológicas para o resto da vida como resultado da falta de oxigênio por mais de 10 minutos.
Doug foi até a cama onde Melanie estava sendo mantida por aparelhos, segurou sua mão e disse:
“Eu amo você. Eu sempre lhe amarei. Nossos filhos Brady e Gabriella são maravilhosos e amam você. Se você tiver em si mesma qualquer centelha para lutar, então lute. Independentemente de minhas esperanças, prometa-me que você seguirá seu anjo da guarda onde quer que ele lhe guie. Onde ele lhe guiar, será onde Deus precisa de você”.
Em seguida, as coisas pioraram ainda mais. Ela precisou de duas transfusões de sangue e foi transferida de hospital. Durante a cesariana de emergência, uma artéria havia sido rompida, e havia veias entupidas devido ao sangue coagulado, necessitando de mais uma cirurgia delicada. O coração funcionava somente a 5% de sua capacidade, sendo o mínimo de 55 a 65% para sobrevivência. Devido à parada cardíaca, os pulmões falhavam e ela era mantida por um ventilador que supria 100% de sua respiração.
Preocupados de que ela não sobrevivesse àquela cirurgia, os médicos lhe mostraram uma foto de Gabriella, ao que ela reagiu e começou a se mexer e a chorar desesperadamente. Eles então a sedaram e enviaram para a sala de cirurgia. Neste momento, a família renovou as esperanças com mais orações.
O milagre
A cirurgia foi um sucesso e Melanie, miraculosamente, sobreviveu. O sacerdote que os casou anos antes fez uma visita ao hospital e relembrou a Doug, “Isso é ao que você disse ‘sim’ no casamento: Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”.
Nas 24 horas seguintes à cirurgia, ela começou a respirar melhor e foi retirada do ventilador artificial. Totalmente consciente, ela abriu os olhos e pediu para ver o marido e a filha. As enfermeiras trouxeram Gabriella e ela foi capaz de segurar a filha pela primeira vez, após mais de 48 horas de sua cesariana.
Após este momento, a recuperação de Melanie chegou a surpreender toda a equipe médica do hospital.
Ela deixou o hospital 6 dias após aquela emergência, sua recuperação foi total durante as semanas seguintes, sem quaisquer sequelas.
Algum tempo depois, Melanie escreveu um livro contando sua história.
Ela disse:
“Embora eu não me lembre deste evento incrível em minha vida, sou grata por estar viva e abraçar meu marido e filhos em meus braços diariamente. Sou grata por cada post feito no Facebook, Twitter, artigos que foram escritos e postados em sites do mundo todo, e principalmente a todos os que oraram e compartilharam com outros que oraram por mim, uma estranha. Palavras não podem expressar minha gratidão pela multidão de orações que me cobriram nesse evento traumático. Sou feliz por dizer que as orações funcionaram! Graças às mãos dos médicos, enfermeiras, doadores de sangue, e um Deus misericordioso, Gabriella e eu estamos vivas e bem, e eu me recuperei completamente.”
Em 2014 em um artigo escrito por ela mesma, após 4 anos, ela compartilhou um testemunho:
“Não há um dia em que eu não agradeça a Deus por me permitir sobreviver e me inspirar a escolher um hospital a favor da vida. Eu agradeço a Deus por permitir que Doug, Brady, Gabriella e eu fôssemos uma família novamente e por me dar a oportunidade de testemunhar sobre Sua infinita graça, misericórdia e amor por cada um de nós. Deus tem o poder de nos tirar da escuridão, mesmo do vale da morte, e nos trazer de volta à luz, e por isso, eu O agradeço!”
(via Catholicus)
Papa Francisco: Deus não se cansa de perdoar Aos padres, Papa fala sobre a confissão e a misericórdia
“O melhor confessor costuma ser o que melhor se confessa”: este foi o conceito inicial expresso pelo Pontífice na manhã desta quinta-feira (02/06), em sua segunda meditação aos sacerdotes participantes do Jubileu dos Sacerdotes.
O encontro se realizou na Basílica de Santa Maria Maior, às 12h, horário de Roma. Antes de iniciar a sua meditação, o Papa se deteve em oração diante do ícone de Maria, Salus Popoli Romani, que habitualmente venera antes e depois de suas viagens apostólicas.
Estavam presentes muitos cardeais e colaboradores da Cúria Romana. A Basílica estava repleta também de sacerdotes e seminaristas.
O tema da reflexão de Francisco foi “O recipiente da misericórdia”, que é o nosso coração ferido e cicatrizado com a misericórdia e o perdão de Deus.
“Deus não Se cansa de perdoar, mesmo quando vê que a sua graça não consegue criar raízes fortes no terreno do nosso coração, que é caminho duro, agreste e pedregoso. Ele volta a semear a sua misericórdia e o seu perdão, renova assim o odre em que recebemos o seu perdão; o nosso coração se torna ‘misericordiado’ e misericordioso”, disse o Papa.
Grandes Santos, grandes pecadores
Prosseguindo, explicou que “no exercício da misericórdia que repara o mal alheio, não há ninguém melhor do que a pessoa que possui a sensação de ter sido ‘misericordiada’ do mesmo mal.
E citou como exemplo aqueles que trabalham com viciados, que são as pessoas que melhor compreendem, ajudam e sabem exigir dos outros, porque já foram resgatadas.
Neste sentido, Francisco lembrou que quase todos os grandes Santos foram grandes pecadores, como Paulo, Pedro, João, Agostinho, Francisco, Inácio, o Santo Cura d’Ars, o Beato argentino Cura Brochero.
O Papa, que visitou o México em fevereiro passado, revelou aos participantes do encontro que quando esteve diante da imagem da Virgem de Guadalupe, rezou e pediu a Ela pelos sacerdotes, para que sejam bons padres. Então lhes falou sobre os ‘modos’ de olhar de Nossa Senhora.
Acolhida, tecelagem, atenção
O primeiro é o olhar que acolhe, onde os homens, sempre órfãos e deserdados, buscam um abrigo, um lar. Um outro ‘modo de olhar de Maria’ tem a ver com a tecelagem: Ela olha ‘tecendo’, vendo como pode combinar para bem todas as coisas que o povo Lhe apresenta:
“A misericórdia faz a mesma coisa: não nos ‘pinta’ por fora uma cara de bons, não faz ‘photoshop’, mas com os fios de nossas ‘misérias’ e pecados, entrelaçados com amor de Pai, tece-nos de tal maneira que a nossa alma se renova recuperando a sua verdadeira imagem: a de Jesus”. Consequentemente, exortou os sacerdotes:
“Sejam capazes de imitar esta liberdade de Deus; não se deixem levar pela vã pretensão de mudar o povo, como se o amor de Deus não tivesse força suficiente para o mudar”.
O terceiro modo de olhar é o da atenção: Maria se concentra e se envolve inteiramente com a pessoa que tem à sua frente, como uma mãe quando só tem olhos para o seu filho que lhe conta alguma coisa.
“Nestas situações, alertou Francisco, nunca falte a sua paternidade de bispos para com os seus sacerdotes. Encorajem a comunhão entre eles; façam com que possam aperfeiçoar os seus dons; insiram-nos nas grandes causas, porque o coração do apóstolo não foi feito para coisas pequenas”.
Finalmente, Maria olha de modo ‘integral’, unindo tudo: o nosso passado, presente e futuro. Não tem uma visão fragmentada, pois a misericórdia sabe ver a totalidade e intui aquilo que é mais necessário.
Maria, sinal e sacramento da misericórdia de Deus
O Pontífice conclui rezando a Maria, Mãe da Misericórdia, vida, doçura e esperança nossa: “Seus olhos misericordiosos são aqueles que consideramos o melhor recipiente da misericórdia, nos fazem ver as obras da misericórdia de Deus na história dos homens e descobrir Jesus em seus rostos”.
(Rádio Vaticano)
terça-feira, 31 de maio de 2016
Papa Francisco: é feio ver cristãos com a cara virada O cristão ajuda sempre com alegria, sem fazer 'cara feia', afirmou hoje o Papa
Se aprendêssemos a servir e fôssemos ao encontro dos outros, como mudaria o mundo. Foi a consideração com a qual o Papa Francisco concluiu a homilia da missa da manhã, celebrada na Casa Santa Marta, nesta terça-feira (31/05).
Francisco dedicou sua reflexão a Nossa Senhora, no dia que se encerra o mês mariano. “Serviço e encontro fazem sentir uma alegria que preenche nossas vidas”, disse o Papa.
Coragem feminina, capacidade de ir ao encontro dos outros, estender a mão para uma ajuda, solicitude. E, principalmente, alegria, daquelas que enchem o coração e dão à vida um novo sentido e uma nova direção.
Estes foram os tópicos extraídos por Francisco do Evangelho do dia, que narra a visita de Maria a Santa Isabel.
Este trecho, junto com as palavras do Profeta Sofonias na Primeira leitura e de São Paulo, na Segunda, delineia uma liturgia “cheia de alegria” e chega como “um vento novo” que preenche nossas vidas.
Alegria e cara virada
“É feio ver cristãos com a cara virada, cristãos tristes, é feio, feio, feio… Não são plenamente cristãos. Acreditam que são, mas não o são totalmente. Esta é a mensagem cristã. E nesta atmosfera de alegria que a liturgia nos dá de presente, gostaria de ressaltar apenas duas coisas: primeiro, um comportamento; segundo, um fato. O comportamento é o serviço”.
As mulheres: coragem da Igreja
O serviço de Maria é realizado sem incertezas, observou o Papa. Maria, afirma o Evangelho, “se dirigiu apressadamente”, embora estivesse grávida e arriscasse se deparar com malfeitores no decorrer da estrada.
“Esta jovem de 16 ou 17 anos, não mais”, acrescentou Francisco, “era corajosa. Levanta-se e vai”, sem desculpas:
“Coragem de mulher. As mulheres corajosas que existem na Igreja são como Nossa Senhora. Essas mulheres que levam avante a família, essas mulheres que levam avante a educação dos filhos, que enfrentam tantas adversidades, tanta dor, que curam os doentes… Corajosas: levantam-se e servem, servem.
O serviço é sinal cristão. Quem não vive para servir, não serve para viver. Serviço na alegria, esta é a atitude que gostaria de destacar hoje. Há alegria e também serviço. Sempre para servir”.
O encontro é um sinal cristão
O segundo ponto sobre o qual o Papa se detém é o encontro entre Maria e sua prima. “Essas duas mulheres – evidenciou – se encontram, e se encontram com alegria”, aquele momento é “só festa”.
Se “nós aprendêssemos isso, serviço e ir ao encontro dos outros, concluiu Francisco, “como o mundo mudaria”:
“O encontro é outro sinal cristão. Uma pessoa que se diz cristã e não é capaz de ir ao encontro dos outros, de encontrar os outros, não é totalmente cristã. Seja o serviço, seja o encontro, requerem sair de si mesmos: sair para servir e sair para encontrar, para abraçar outra pessoa. É com este serviço de Maria, com este encontro que se renova a promessa do Senhor, se atua no presente, naquele presente. E propriamente o Senhor – como ouvimos na primeira Leitura: ‘O Senhor, teu Deus, está no meio de ti” – o Senhor está no serviço, o Senhor está no encontro”.
(Rádio Vaticano)
Piedade! Misericórdia! Rogai por nós, Santa Mãe de Deus!
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso Reino.
Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
* * *
Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco!
Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte.
Amém.
* * *
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós.
* * *
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
domingo, 29 de maio de 2016
Estando o rei para morrer, corroído de vermes, chamou o filho e disse… "Príncipe, vê como se morre, e aonde vêm a parar as grandezas do mundo"
O rei de Espanha, estando para morrer, mandou chamar o filho e, entreabrindo as vestes reais, mostrou-lhe o peito roído de vermes, dizendo:
– Príncipe, vê como se morre, e aonde vêm a parar as grandezas do mundo.
Depois exclamou:
– Quem me dera ter sido simples frade de qualquer ordem e não monarca!
Ao mesmo tempo, mandou lançar ao pescoço uma corda da qual pendia uma cruz de madeira, e, tendo disposto tudo para a morte, acrescentou:
– Meu filho, quis que estivesses presente a este ato para veres bem como na morte o mundo trata os próprios reis. Quem tiver vivido melhor, achará lugar melhor junto de Deus.
Esse filho, depois Felipe II, quando, por sua vez, estava para morrer na idade de 23 anos, disse:
– Meus vassalos, não faleis no meu elogio fúnebre senão no que estais vendo agora. Dizei que na morte de nada serve ser rei, senão para sentir maior tormento de o haver sido.
Em seguida, exclamou:
– Prouvera a Deus que nunca tivesse sido rei e tivesse vivido num deserto no serviço de Deus! Poderia apresentar-me agora com mais confiança ao seu tribunal e não correria tamanho risco de me condenar.
De que servem, porém, tais desejos na hora da morte senão para maior mágoa e desespero do que não amou a Deus durante a vida?
Com razão dizia Santa Teresa: Não se deve fazer caso das coisas que acabam com a vida; a verdadeira vida consiste em viver de tal modo que não se tenha de recear a morte. Se desejamos ver o que valem os bens da terra, consideremo-los com os olhos fitos na morte e digamos: as honras, as dignidades, os prazeres, as riquezas acabarão um dia: assim atendamos em nos fazer santos e ricos daqueles bens que nos acompanharão para a eternidade e nos tornarão contentes para sempre.
Ah, meu Redentor, padecestes tantos sofrimentos e ignomínias por meu amor, e eu amei tanto os prazeres e bens passageiros deste mundo que, por causa deles, cheguei a calcar aos pés a vossa graça. Mas se Vós, quando eu Vos desprezava, não deixastes de me procurar, não posso temer, ó meu Jesus, que me rejeiteis agora que Vos procuro e Vos amo de todo o coração e me arrependo mais de Vos ter ofendido que se tivesse sofrido qualquer outra desgraça.
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Santo Afonso Maria de Ligório – Extraído de Meditações, Para todos os Dias e Festas do Ano, Tomo II
Papa: Eucaristia, centro e forma da vida da Igreja Francisco fala do testemunho mais antigo que temos das palavras de Cristo na Última Ceia
O primeiro dos três momentos presididos pelo Papa na Solenidade de Corpus Christi foi a Santa Missa na Catedral de Roma, a Basílica de São João de Latrão.
Na breve homilia, Francisco recordou a instituição da Eucaristia, o “partir” do pão que se tornou o sinal mais evidente da comunidade cristã, além da força do “amor do Senhor ressuscitado” que vem da Eucaristia.
Abaixo, a íntegra da homilia do Papa
***
“Fazei isto em memória de Mim” (1 Cor 11, 24.25). Esta ordem de Jesus é citada duas vezes pelo apóstolo Paulo, quando narra à comunidade de Corinto a instituição da Eucaristia.
É o testemunho mais antigo que temos das palavras de Cristo na Última Ceia.
“Fazei isto” ou seja, tomai o pão, dai graças e parti-o; tomai o cálice, dai graças e distribuí-o.
Jesus ordena que se repita o gesto com que instituiu o memorial da sua Páscoa, pelo qual nos deu o seu Corpo e o seu Sangue.
E este gesto chegou até nós: é o “fazer” a Eucaristia, que tem sempre Jesus como sujeito, mas atua-se por meio das nossas pobres mãos ungidas de Espírito Santo.
“Fazei isto”. Já antes Jesus pedira aos seus discípulos para “fazerem” algo que Ele, em obediência à vontade do Pai, tinha já decidido no seu íntimo realizar; acabamos de ouvir isso no Evangelho.
À vista das multidões cansadas e famintas, Jesus diz aos discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc 9, 13). Na realidade, é Jesus que abençoa e parte os pães até saciar toda aquela multidão, mas os cinco pães e os dois peixes são oferecidos pelos discípulos, e era isto o que Jesus queria: que eles, em vez de mandar embora a multidão, colocassem à disposição o pouco que tinham.
E, depois, há outro gesto: os pedaços de pão, partidos pelas mãos santas e veneráveis do Senhor, passam para as pobres mãos dos discípulos, que os distribuem às pessoas.
Também isto é “fazer” com Jesus, é “dar de comer” juntamente com Ele. Evidentemente, este milagre não pretende apenas saciar a fome de um dia, mas é sinal daquilo que Cristo pretende realizar pela salvação de toda a humanidade, dando a sua carne e o seu sangue (cf. Jo 6, 48-58).
E, no entanto, é preciso viver sempre estes dois pequenos gestos: oferecer os poucos pães e peixes que temos; receber o pão partido das mãos de Jesus e distribuí-lo a todos.
“Partir”: esta é a outra palavra que explica o significado da frase “fazei isto em memória de Mim”.
O próprio Jesus Se repartiu, e reparte, por nós. E pede que façamos dom de nós mesmos, que nos repartamos pelos outros. Foi precisamente este “partir o pão” que se tornou ícone, sinal de reconhecimento de Cristo e dos cristãos.
Lembremo-nos de Emaús: reconheceram-No “ao partir o pão” (Lc 24, 35). Recordemos a primeira comunidade de Jerusalém: “Eram assíduos (…) à fração do pão” (At 2, 42).
É a Eucaristia que se torna, desde o início, o centro e a forma da vida da Igreja. Mas pensemos também em todos os santos e santas – famosos ou anônimos – que se “repartiram” a si mesmos, a própria vida, para “dar de comer” aos irmãos.
Quantas mães, quantos pais, juntamente com o pão quotidiano cortado sobre a mesa de casa, repartiram o seu coração para fazer crescer os filhos, e fazê-los crescer bem!
Quantos cristãos, como cidadãos responsáveis, repartiram a própria vida para defender a dignidade de todos, especialmente dos mais pobres, marginalizados e discriminados!
Onde eles encontram a força para fazer tudo isto? Precisamente na Eucaristia: na força do amor do Senhor ressuscitado, que também hoje parte o pão para nós e repete: “Fazei isto em memória de Mim”.
Possa o gesto da Procissão Eucarística, que em breve realizaremos, ser também resposta a esta ordem de Jesus. Um gesto para fazer memória d’Ele; um gesto para dar de comer à multidão de hoje; um gesto para repartir a nossa fé e a nossa vida como sinal do amor de Cristo por esta cidade e pelo mundo inteiro.
(Rádio Vaticano)
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