segunda-feira, 6 de junho de 2016
Papa Francisco: “O Sermão da Montanha é o GPS da vida cristã” Homilia do Papa Francisco na capela da Casa Santa Marta
Em sua homilia de hoje, na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco se inspirou no Evangelho de Mateus, que mostra Jesus instruindo as multidões com o célebre sermão da montanha.
Francisco reiterou que Cristo ensinava a nova lei, que não cancela a antiga, mas a aperfeiçoa, levando-a “à sua plenitude”:
“Esta é a lei nova, esta que nós chamamos ‘as bem-aventuranças’. É a nova lei do Senhor para nós. São o guia da rota, do itinerário, são a bússola da vida cristã. Neste caminho, segundo as indicações deste ‘GPS’, podemos prosseguir na nossa vida cristã”.
Francisco prosseguiu a homilia completando o texto de Mateus com as considerações que o evangelista Lucas coloca no final das Bem-aventuranças: ai de vocês, os ricos, ai de vocês, que agora têm fartura, ai de vocês, que agora riem, ai de vocês, se todos os elogiam.
O Papa recordou que disse muitas vezes que “as riquezas são boas, mas o que faz mal é o apego às riquezas” que se torna “uma idolatria”.
“Isto é contrário à lei. É o GPS errado. É curioso! Estes são os três degraus que levam à perdição, assim como estas Bem-aventuranças são os degraus que levam adiante na vida. Os três degraus que levam à perdição são: o apego às riquezas, porque eu não preciso de nada. O segundo é a vaidade. Quero que todos falem bem de mim. Se todos falam bem me sinto importante, muito incenso e eu acredito ser justo, não como aquele ou como aquele outro. Pensemos na parábola do fariseu e do publicano: ‘Ó Deus, eu te agradeço, porque não sou como os outros homens…’. ‘Obrigado, Senhor, porque sou um bom católico, não como o meu vizinho ou a minha vizinha’. Todos os dias isso acontece! O terceiro degrau: o orgulho, que é a saciedade, as risadas que fecham o coração.”
Dentre todas as Bem-aventuranças, Francisco seleciona uma que, afirmou, “não digo ser a chave” de todas, “mas nos faz pensar muito”: “Bem-aventurados os mansos”. A mansidão:
“Jesus diz de si mesmo: Aprendam de mim que sou manso e humilde de coração. A mansidão é uma maneira de ser que nos aproxima muito de Jesus. Ao invés, o comportamento contrário sempre procura as inimizades, as guerras, tantas coisas ruins que acontecem. Mas a mansidão, a mansidão de coração que não é tolice. É outra coisa. É a profundidade em entender a grandeza de Deus, e adoração.” (Com informações Rádio Vaticano)
Ela esperava ganhar uma boneca como outra qualquer, mas leva um susto ao abrir a caixa Seus pais foram muito atrevidos, mas o resultado foi surpreendente
Emma, de 10 anos, ganhou a boneca dos seus sonhos, graças aos seus pais e a uma empresa de próteses. Os pais da menina enviaram uma famosa boneca à empresa e pediram que colocassem uma perna protética nela, exatamente como a da sua filha.
Uma das melhores coisas desta vida é podermos nos reconhecer no ambiente em que vivemos. Esta garotinha nos dá uma lição de vida ao fazer valer sua identidade em oposição à cultura de massa.
domingo, 5 de junho de 2016
Papa Francisco: “Esperar contra toda esperança”
A Palavra de Deus que ouvimos conduz-nos para o acontecimento central da fé: a vitória de Deus sobre o sofrimento e a morte. É o Evangelho da esperança que brota do mistério pascal de Cristo, que irradia do seu rosto, revelador de Deus Pai consolador dos aflitos. É uma Palavra que nos chama a permanecer intimamente unidos à paixão de Jesus Nosso Senhor, para que se manifeste em nós o poder da sua ressurreição.
Realmente, na Paixão de Cristo, temos a resposta de Deus ao grito angustiado, e às vezes indignado, que a experiência do sofrimento e da morte suscita em nós. É preciso não fugir da Cruz, mas permanecer lá, como fez a Virgem Mãe que, sofrendo juntamente com Jesus, recebeu a graça de esperar para além de toda a esperança (cf. Rm 4, 18).
Esta foi também a experiência de Estanislau de Jesus Maria e de Maria Isabel Hesselblad, que hoje são proclamados Santos: permaneceram intimamente unidos à paixão de Jesus e, neles, manifestou-se o poder da sua ressurreição.
A primeira leitura e o Evangelho deste domingo apresentam-nos, precisamente, dois sinais prodigiosos de ressurreição: o primeiro realizado pelo profeta Elias; o segundo, por Jesus. Nos dois casos, os mortos são filhos ainda muito novos de mulheres viúvas, os quais são devolvidos, vivos, à respetiva mãe.
A viúva de Sarepta – uma mulher não-judia, que no entanto hospedara em sua casa o profeta Elias – está indignada com o profeta e com Deus, porque, precisamente enquanto Elias estava lá hospedado, o bebé dela adoecera e agora expirou nos seus braços. Então Elias disse àquela mulher: «Dá-me o teu filho» (1 Re 17, 19). Esta é uma palavra-chave: exprime a atitude de Deus face à nossa morte (em todas as suas formas). Não diz: «Fica com ela, arranja-te!»; mas: «Dá-ma a Mim». Com efeito, o profeta toma o menino e leva-o para o quarto de cima e lá sozinho, em oração, «luta com Deus», fazendo-Lhe ver o absurdo daquela morte. E o Senhor escutou a voz de Elias, porque, na realidade, era Ele próprio a falar e agir no profeta. Era Ele que, pela boca de Elias, dissera à mulher: «Dá-me o teu filho». E agora era Ele que o devolvia, vivo, à mãe.
A ternura de Deus revela-se plenamente em Jesus. Ouvimos narrar, no Evangelho (Lc 7, 11-17), como Ele sentiu «grande compaixão» (v. 13) por aquela viúva de Naim, na Galileia, que acompanhava à sepultura o seu único filho, ainda adolescente. Mas Jesus aproxima-Se, toca no caixão, para o cortejo fúnebre e, certamente, terá acariciado o rosto banhado de lágrimas daquela pobre mãe. «Não chores» – diz-lhe Ele (Lc 7, 13), como se lhe pedisse: «Dá-me o teu filho». Jesus pede para Si mesmo a nossa morte, para nos libertar e devolver-nos a vida. E, de facto, aquele rapaz acordou como que de um sono profundo e começou novamente a falar. E Jesus «entregou-o à sua mãe» (v. 15). Não é um mago! É a ternura de Deus encarnada; n’Ele atua a imensa compaixão do Pai.
E uma espécie de ressurreição se dá também com o apóstolo Paulo, que de inimigo e perseguidor feroz dos cristãos se torna testemunha e arauto do Evangelho (cf. Gal 1, 13-17). Esta mudança radical não foi obra dele, mas dom da misericórdia de Deus, que o «escolheu» e «chamou pela sua graça» e, «nele», quis revelar o seu Filho para que O anunciasse entre os gentios (vv. 15-16). Paulo diz que aprouve a Deus revelar o Filho não só a ele, mas nele, isto é, quase imprimindo na sua pessoa, carne e espírito, a morte e a ressurreição de Cristo. Assim o apóstolo será não só um mensageiro, mas antes de tudo uma testemunha.
E também com os pecadores, um a um, Jesus não cessa de fazer resplandecer a vitória da graça que dá a vida. E hoje, como todos os dias, diz à Mãe-Igreja: «Dá-me os teus filhos», que somos todos nós. Toma sobre Si os nossos pecados, tira-no-los e devolve-nos, vivos, à própria Igreja. E isto acontece de maneira especial durante este Ano Santo da Misericórdia.
Hoje, a Igreja mostra-nos dois dos seus filhos que são testemunhas exemplares deste mistério de ressurreição. Ambos podem cantar eternamente, com as palavras do salmista: «Vós convertestes o meu pranto em festa; Senhor, meu Deus, eu Vos louvarei para sempre» (Sal 30/29, 12). E, todos juntos, unimos as nossas vozes, dizendo: «Eu Vos louvarei, Senhor, porque me salvastes» (refrão do Salmo Responsorial).
Sudário de Turim e de Oviedo “envolveram a mesma pessoa”, concluiu inquérito
O Santo Sudário de Turim e o Sudário de Oviedo “quase com inteira certeza envolveram o cadáver da mesma pessoa”, concluiu uma investigação que comparou as duas relíquias com base na Antropologia Forense e na Geometria.
O trabalho foi realizado pelo doutor em Belas Artes e professor de Escultura da Universidade de Sevilha, Juan Manuel Miñarro, no contexto de um projeto do Centro Español de Sindonología (CES) sediado em Valencia, Espanha.
O professor Juan Manuel Miñarro ganhou celebridade criando imagens de Cristo de acordo com o Santo Sudário.
O professor Juan Manuel Miñarro ganhou celebridade criando imagens de Cristo de acordo com o Santo Sudário
O estudo acresce aquilo que é afirmado há séculos pela tradição: que os dois tecidos pertenceram ao mesmo personagem histórico: Jesus de Nazaré.
Também confirma que o Santo Sudário teria sido o lençol funerário que envolveu o Corpo de Jesus quando Ele foi depositado no sepulcro, enquanto o Sudário de Oviedo seria o tecido que cobriu seu rosto na Cruz logo após morrer.
Os dois tecidos seriam aqueles que São Pedro e São João acharam no sepulcro logo após a Ressurreição, segundo narra o Evangelho de São João (20, 1-9):
1. No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro.
2. Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!
3. Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro.
4. Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.
5. Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou.
6. Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão.
7. Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.
8. Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu.
9. Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos.
O professor Miñarro esclarece que a investigação “não prova por si só que essa pessoa seja exatamente Jesus Cristo, mas sim aponta muito claramente que esse é o caminho para demonstrar completamente que o Santo Sudário e o Sudário de Oviedo envolveram a cabeça do mesmo cadáver”, segundo ele explicou à agência Paraula.
A investigação identificou um número de coincidências entre ambas as relíquias que “supera com abundância o mínimo de pontos significativos ou de provas exigidas pela maioria dos sistemas judiciais do mundo para a identificação de pessoas, que é entre oito e doze, enquanto a nossa análise descobriu mais de vinte”.
As linhas craniométricas permitem identificar rostos. No caso do Homem do Sudário um rosto muito deformado pelas lesões
As linhas craniométricas permitem identificar rostos. No caso do Homem do Sudário um rosto muito deformado pelas lesões
A investigação registrou “importantíssimas coincidências” nas principais características morfológicas (tipo, tamanho e distâncias entre as pegadas), o número e a distribuição das manchas de sangue, as pegadas peculiares das diversas lesões registradas nos dois lençóis e as superfícies deformadas.
Há “pontos que evidenciam a compatibilidade entre ambos os lençóis” na parte da fronte, onde há restos de sangue, no dorso do nariz, no pômulo direito e no queixo, que “apresentam diversas contusões”.
Miñarro sublinha que os dois tecidos apresentam diferenças morfológicas, mas aquilo “que parece inquestionável é que os pontos onde jorrou sangue se correspondem totalmente”.
As diferenças morfológicas nos tecidos podem se explicar por que “o contato com elas foi diverso” do ponto de vista da duração, modo de aplicação e intensidade do contato da cabeça com cada um deles e pela “elasticidade própria dos tecidos de linho”.
A conclusão é que as coincidências “são tais que ficou muito difícil achar que se trate de pessoas diversas”, sublinhou Jorge Manuel Rodríguez, presidente do CES.
“Chegamos a um ponto em que parece absurdo perguntar se todas essas feridas, contusões, inchaços… poderiam coincidir ‘em virtude de algum azar’. A lógica nos exige pensar que estamos falando da mesma pessoa”, concluiu.
As técnicas utilizadas são as da geometria – para o reconhecimento e a aplicação dos pontos craniométricos e das líneas anatômicas – e as da Antropologia Forense, que é a especialidade da Medicina encarregada de identificar os restos humanos.
O professor Miñarro utilizou fotografias em tamanho real das duas relíquias e superpôs as imagens com a ajuda de raios laser, acetatos e um programa informático, seguindo um procedimento utilizado na investigação criminalista.
Sua investigação foi desenvolvida durante dois anos, apoiada em diversos estudos prévios do EDICES que o patrocinou, mas também em estudos de outros investigadores, como Giulio Ricci, considerado pioneiro na comparação entre o Santo Sudário de Turim e o Sudário de Oviedo.
O médico forense Alfonso Sánchez Hermosilla e o engenheiro Guillermo Heras, vice-presidente de Investigação do CES, acharam que, aproveitando as técnicas habituais da Criminalística, o professor Miñarro:
“pôde localizar os pontos craniométricos mais significativos nos dois lençóis, tarefa relativamente simples no caso do Santo Sudário de Turim, mas extremamente complexa no caso do Sudário de Oviedo. Isso lhe permitiu reconstituir as proporções antropométricas e craniométricas” dos dois”.
(via Ciência confirma Igreja)
Como a dificuldade financeira mudou a minha forma de ver o dinheiro
Eu abaixei a cabeça quando saí do consultório do pediatra, ao ver o quanto teria de pagar pela consulta. Tive vergonha de não ter uma poupança, vergonha de não ser “melhor” na gestão de dinheiro. E pior ainda, fora minha escolha viver daquele jeito. Eu tinha decidido sair do meu emprego em tempo integral antes do meu primeiro filho nascer.
Eu digo que foi uma “escolha”, mas, como muitas mulheres, eu achei que equilibrar trabalho e família ao mesmo tempo seria extremamente difícil. Tínhamos adotado três irmãos e, no último minuto, uma gravidez inesperada (embora muito querida), de uma criança que tinha problemas de saúde e precisava ser cuidada em casa por um certo tempo. Parecia que a melhor escolha para a minha família era ter o pai ou a mãe em casa o tempo todo para gerir a família. E eu tinha feito as contas: no papel, seria apertado, mas um salário daria. Mas eu logo soube que “apertado” funcionava apenas em um mês perfeito, sem gastos emergenciais. Meu primeiro filho já tem dez anos e, olhando para trás, acho que nunca tivemos o tal mês perfeito.
Alguns sacrifícios iniciais me pareceram óbvios: desisti de gastar dinheiro em meus itens “fúteis”: sapatos e livros. Passei a usar a internet da biblioteca pública para evitar a despesa em casa. Cortamos internet, telefone celular. Mas, apesar do nosso orçamento cuidadoso e dos sacrifícios, dentro de um ano eu tive de sacar a minha minha previdência privada apenas para pagar nossas contas regulares.
Eu li recentemente um novo livro sobre pobres dos Estados Unidos, $2.00 a Day: Living on Almost Nothing in America. A socióloga Kathryn Edin narra a jornada dos mais pobres do país: pessoas que, literalmente, não têm nenhum alimento em sua casa, sem fórmulas para bebês, e até sem casas.
É devastador viver na pobreza extrema, e imediatamente vi como eu tenho sorte: tenho pouco dinheiro, mas nunca fui pobre ao ponto de não ter um lugar para viver. Essa é outro tipo de pobreza, em que a falta de dinheiro é tão arraigada que não existem opções – o que os sociólogos chamam de pobreza “geracional” em vez de pobreza “situacional”. O simples fato de que eu tinha uma conta de previdência para tirar dinheiro significava uma situação melhor que a de muitos.
Os americanos de classe média muitas vezes têm pouca experiência com aqueles na parte inferior da escada econômica. Nós geralmente vivemos em torno de pessoas com rendimentos semelhantes. Assim, esta nova experiência do orçamento apertado – e muitas vezes nem mesmo capaz de suprir o mês – era nova para mim. Foi um vislumbre ver como é a vida das famílias em situações mais terríveis.
Para ser honesta, a pior parte foi a seguinte: eu me senti um fracasso. Simplesmente ficava com falta de ar quando ia tentar pagar as contas. Não falava com ninguém sobre o estresse em que vivia, já que a falta de dinheiro era algo que eu tinha que esconder.
Mas, olhando agora para trás, posso dizer que meu exercício de uma década em um orçamento extremo acabou sendo positivo: eu desenvolvi uma nova relação com o dinheiro, que está mais de acordo com meus valores espirituais.
Eu suspeito que outras famílias, especialmente aquelas que viveram a Grande Recessão, tiveram experiências semelhantes. Minha amiga Mary vive no leste do Canadá e passou por problemas financeiros. Quando lhe perguntei sobre como a luta financeira impactou a forma como ela vê o dinheiro, ela tinha uma resposta pronta:
“O primeiro ano após ‘Bob’ começar o negócio, nós estávamos em dificuldades financeiras. Eu sempre fui muito boa com dinheiro e fiz economias e era, e ainda sou, muito econômica, mas na primavera passada estávamos no fundo da nossa linha de crédito empresarial e tivemos que usar a nossa linha de crédito pessoal para pagar os reparos do carro. Eu comecei a cortar gastos, e nós simplesmente não gastamos nada extra”.
Ela traçava duas conclusões: “a primeira pode soar um clichê, mas é importante: que nós ainda tínhamos tudo – crianças saudáveis, um lar e uma família amorosa. A segunda, mais reveladora, era que anteriormente eu tinha sido um pouco avarenta. Agora eu sou mais generosa com o que temos, e eu estou mais ciente de como o dinheiro pode afetar negativamente as relações quando ele passa a ser o centro de tudo”.
Quando você está contando cada centavo, o “significado” do dinheiro só se torna prático: uma certa quantidade de dinheiro vai comprar seus mantimentos, outro montante vai pagar suas contas. Assim, o dinheiro perde seu peso emocional, em alguns aspectos – é apenas uma ferramenta que vai te dar o que você precisa. E mesmo se você tiver a sorte de ter mais do que o suficiente, ele ainda é apenas uma ferramenta. Não há nada inerentemente bom ou ruim sobre o dinheiro. E, no entanto, muitos de nós podem se sentir confusos, e até mesmo culpados, sobre isso.
Outra dica: eu sou escritora freelancer e editora, o que significa que nesta economia louca às vezes eu tenho muito trabalho e às vezes não tenho trabalho suficiente. Quando arrumo um trabalho ou dois significa que inevitavelmente precisarei de ajuda, às vezes com as crianças ou com a arrumação da casa, enquanto trabalho. Eu cresci em circunstâncias financeiras extremamente apertadas e minha mãe nunca teve qualquer ajuda. Eu interiorizei a ideia de que sou “mimada” por buscar essa ajuda. Isso de alguma forma me faz sentir como ostentação, como se eu tivesse dinheiro suficiente para que outras pessoas façam meu trabalho. Mas a realidade é que se eu agendar um grande trabalho, eu não posso fazê-lo e simplesmente abandonar as crianças e o serviço de casa. Então eu contrato ajuda, mas me sinto mal com isso.
É uma sensação difícil, mesmo quando você percebe tudo de bom que vem da ajuda contratada: os meninos amam a babá, eu amo; e meu marido ama a casa limpa onde não temos que gastar nosso sábado esfregando. Quem faz o serviço também fica feliz pelo seu ganho. Precisei, assim, rever uma tendência a pensar que gastar dinheiro era inerentemente mau.
Mas eu tento me lembrar que o dinheiro não é moral ou imoral em si. Ele pode trazer coisas positivas. É o que você faz com ele que importa. Nós devemos ter o objetivo de gastar o nosso dinheiro de uma forma que faça o bem no mundo.
O dinheiro, como tantas outras coisas, está cheio de bagagem e emoção. Graças aos meus anos de orçamento apertado, as minhas opiniões são muito diferentes hoje. Eu uso o dinheiro como uma maneira de colocar minhas prioridades em ação. Para mim, isso significa um dízimo de 10%, além de outras doações de caridade para organizações em minha comunidade, como escolas, banco de alimentos e abrigo para mulheres. Isso significa que, se agora temos mesmo um pouco mais do que precisamos, como família, nós consideramos as necessidades dos outros.
Significa, também, falar de escolhas de dinheiro com os meus filhos, algo que meus pais nunca fizeram. Quando planejamos uma grande viagem, explico que é melhor alugar um filme do que ir ao cinema, almoçar em casa ao invés de comer fora. É bom para os meus filhos verem que um orçamento limitado em certo período pode possibilitar um bom passeio de férias mais à frente.
É bom para eles verem que o dinheiro significa escolhas – que qualquer coisa além do aluguel, comida e cuidados médicos é um luxo. Nós também fazemos escolhas sobre o que apoiar: o banco de alimentos, mas não o abrigo de animais, por exemplo. Todos nós temos prioridades, e pensar deliberadamente sobre como cuidar de nós mesmos e dos outros é uma habilidade de vida.
Eu tento enfatizar que trabalhar duro é o que importa. E meu marido quer muito que nossos filhos saibam que o seu trabalho deve ser significativo e importante. Que eles também precisam pagar as contas, e olhar para as pessoas que têm menos do que eles. Quanto mais tentamos ensinar nossos filhos sobre dinheiro, mais percebemos que é uma questão sutil e multifacetada.
Eles não compreendem (ou concordam) inteiramente, mas eu continuo tentando. Muitas vezes eu sinto que meus filhos têm muito. Tudo o que posso esperar é que eles compreendam o poder do dinheiro através de seu próprio trabalho duro, e pelas suas próprias escolhas e responsabilidades. Espero que eles sempre tenham o suficiente para suas próprias necessidades e o suficiente também para ajudar a aliviar o fardo de alguém da comunidade.
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Papa indica aos padres a leitura da encíclica de Pio XII sobre o Sagrado Coração.
– Na primeira das três meditações para o Jubileu dos Sacerdotes, Francisco convida a retomar a carta de Pacelli sobre o amor de Deus que não se esfria nem desaparece “à vista de monstruosas infidelidades e pérfidas traições”.
A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 02-06-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O Papa Francisco, na primeira das meditações sobre a misericórdia para o Jubileu do Clero, realizada na Basílica de São João de Latrão, na manhã dessa quinta-feira, 2 de junho, ele citou uma encíclica de Pio XII.
Falando do Sagrado Coração de Jesus, culto particularmente celebrado no mês de junho, ele aconselhou os bispos e os padres que o ouviam a reler o texto de Pacelli.
“Recordo que, quando a encíclica foi publicada – disse o Papa Bergoglio –, houve quem, torcendo o nariz, disse que o culto do Sagrado Coração era um culto de freiras.” Em vez disso, “nos fará bem relê-la”, acrescentou, embora alguns dirão que “é pré-conciliar”. Francisco explicou que “o Coração de Jesus é o centro”, e talvez justamente as freiras, que são “mães” na Igreja, entenderam isso melhor.
A encíclica Haurietis aquas traz a data de 15 de maio de 1956 e é dedicada ao culto do Sagrado Coração de Jesus, que Pio XII pretendia purificar de formas e práticas de um certo devocionalismo sentimental, mas sem diminuí-lo em nada, mostrando, em vez disso, a sua verdadeira doutrina: o culto do Sagrado Coração se refere a toda a pessoa de Jesus e tem como objeto o coração por ser um símbolo não só do amor humano e divino de Cristo, mas também de toda a Sua vida.
Por isso, o Papa Pacelli convidava os homens a dirigirem o seu olhar ao Nazareno crucificado. A encíclica é um hino ao amor divino: “Não nos deve causar estranheza que Moisés e os profetas (…) compreendendo bem que o fundamento de toda a lei se baseava nesse mandamento do amor, descrevessem todas as relações existentes entre Deus e a sua nação recorrendo a semelhanças tiradas do amor recíproco entre pai e filhos, ou do amor dos esposos, em vez de representá-las com imagens severas inspiradas no supremo domínio de Deus ou na nossa devida servidão cheia de temor”.
Deus, continuava Pio XII, ama “o seu povo escolhido com um amor justo e cheio de santa solicitude, qual é o amor de um pai cheio de misericórdia e de amor, ou de um esposo ferido na sua honra. É um amor que, longe de decair e de cessar à vista de monstruosas infidelidades e pérfidas traições, castiga-os, sim, como eles merecem, mas não para os repudiar e os abandonar a si mesmos, mas só com o fim de limpar, de purificar a esposa afastada e infiel e os filhos ingratos, para tornar a uni-los novamente consigo uma vez renovados e confirmados os vínculos de amor”.
“O mistério da redenção divina”, escrevia ainda o papa, “é, antes de tudo e pela sua própria natureza, um mistério de amor: isto é, um mistério de amor justo da parte de Cristo para com seu Pai celeste, a quem o sacrifício da cruz, oferecido com coração amante e obediente, apresenta uma satisfação superabundante e infinita pelos pecados do gênero humano.”
“Não havendo, pois, dúvida alguma de que Jesus possuía um verdadeiro corpo humano, dotado de todos os sentimentos que lhe são próprios, entre os quais o amor claramente tem o primado, do mesmo modo é muito verdade que Ele foi provido de um coração físico em tudo semelhante ao nosso, não sendo possível que a vida humana, privada desse excelentíssimo membro do corpo, tenha a sua natural atividade afetiva. Por conseguinte, o Coração de Jesus Cristo, unido hipostaticamente à Pessoa divina do Verbo, sem dúvida deve ter palpitado de amor e de todo outro afeto sensível; contudo, esses sentimentos eram tão conformes e estavam tão em harmonia com a vontade humana, transbordante de caridade divina, e com o próprio amor infinito, que o Filho tem em comum com o Pai e com o Espírito Santo, que jamais se interpôs a mínima oposição e discórdia entre esses três amores.”
“O culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus“, concluía Pio XII, “é o culto ao amor que Deus tem por nós em Jesus Cristo, e, ao mesmo tempo, a prática do nosso amor a Deus e aos homens.”
Papa Francisco: “Nada une mais a Deus do que um ato de misericórdia”
“O nome de Deus é Misericórdia. Nada une mais a Deus do que um ato de misericórdia, quer se trate da misericórdia com que o Senhor perdoa os nossos pecados, quer se trate da graça que nos dá para praticarmos as obras de misericórdia em seu nome”, disse Francisco.
Segundo o Papa, “a misericórdia nos impele a passar do pessoal ao comunitário”. Neste processo, a oração é um elemento importante e Francisco deu aos sacerdotes e seminaristas três sugestões para a oração pessoal nestes Exercícios espirituais.
A primeira tem a ver com dois conselhos práticos dados por Santo Inácio de Loyola, que diz: «Não é o muito saber que enche e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear as coisas de Deus interiormente». Santo Inácio acrescenta que, onde uma pessoa encontrar o que deseja e sentir gosto, ali se há de deter para rezar «sem ânsia de passar adiante, até que o satisfaça».
A segunda sugestão diz respeito a uma forma nova de usar a palavra misericórdia. “É preciso usar de misericórdia, ‘misericordiar’ em espanhol, para receber misericórdia, para ‘ser misericordiado’. O fato de a misericórdia pôr em contato uma miséria humana com o coração de Deus, faz desencadear imediatamente a ação; não se pode meditar sobre a misericórdia, sem pôr tudo em prática. Por isso, na oração, não nos ajuda intelectualizar. Com a ajuda da graça, o nosso diálogo com o Senhor deve se concretizar sobre o meu pecado que requer que a misericórdia do Senhor pouse sobre mim, o pecado de que sinto mais vergonha e maior desejo de reparar”, sublinhou ainda o Santo Padre.
A última sugestão do Papa tem em vista o fruto dos Exercícios espirituais, isto é, “pedir a Deus a graça de ser sacerdotes mais «misericordiados» e mais misericordiosos. De se concentrar na misericórdia, porque esta é a realidade essencial, definitiva”.
“A misericórdia nos faz experimentar a nossa liberdade e, nisto, podemos experimentar a liberdade de Deus, que «usa de misericórdia com quem for misericordioso”.
“Através dos degraus da misericórdia podemos descer até o ponto mais baixo da condição humana – incluindo fragilidade e pecado – e subir até o mais alto da perfeição divina: «Sede misericordiosos, perfeitos, como o vosso Pai é misericordioso». Mas sempre e só para «colher» mais misericórdia. Se as nossas estruturas não vivem, mas são usadas para receber melhor a misericórdia de Deus e para ser mais misericordiosas com os outros, podem se transformar em algo muito diferente e contraproducente”, advertiu o Papa.
Segundo Francisco, “é importante que cada um se situe na tensão fecunda em que nos coloca a misericórdia do Senhor: não só pecadores perdoados, mas pecadores dignificados. Sem a misericórdia ou nos cremos justos como os fariseus ou nos afastamos como aqueles que não se sentem dignos. Nos dois casos, o nosso coração se endurece”.
“Este retiro espiritual se encaminha pela senda daquela simplicidade evangélica que compreende e realiza todas as coisas em chave de misericórdia; de uma misericórdia dinâmica que nos impele a agir no mundo”, concluiu Francisco. (Com informações Rádio Vaticano)
Assinar:
Postagens (Atom)