segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

“O Santuário de Deus são as nossas famílias”, diz Papa DOMINGO, 14 DE FEVEREIRO DE 2016, 8H45

“O santuário de Deus é a vida dos seus filhos, especialmente dos jovens sem futuro e dos idosos sem reconhecimento”, disse o Papa na Missa celebrada, neste sábado, 13, no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, num dos eventos mais aguardados desta sua 12ª viagem apostólica internacional, qual peregrino da misericórdia e da paz em terras mexicanas.
Uma visita à casa da Mãe expressamente desejada pelo Pontífice. De fato, o motivo principal da visita de Francisco ao México era venerar o ícone de Nossa Senhora de Guadalupe, diante do qual se deteve longamente em oração após a Santa Missa.
“O santuário de Deus são as nossas famílias que precisam do mínimo necessário para se poderem formar e sustentar. O santuário de Deus é o rosto de tantos que encontramos no nosso caminho”, afirmou o Pontífice.

Nossa Senhora nos visita

Partindo do Evangelho da liturgia própria da Santíssima Virgem de Guadalupe, Francisco havia iniciado a homilia recordando o episódio da visita de Nossa Senhora a sua prima Isabel para traçar em seguida a figura de Maria como a mulher do sim, um sim de entrega a Deus e aos irmãos.
“Escutar essa passagem do Evangelho, nesta casa, tem um sabor especial. Maria, a mulher do sim, também quis visitar os habitantes desta terra da América na pessoa do índio São Juan Diego. Assim como se moveu pelas estradas da Judeia e da Galileia, da mesma forma alcançou Tepeyac, com as suas roupas, usando a sua língua, para servir esta grande nação. Assim como acompanhou a gravidez de Isabel, acompanhou e acompanha a gestação desta abençoada terra mexicana.”
Francisco acrescentou que também hoje Maria continua a fazer-se presente junto de todos nós, especialmente daqueles que sentem que «não valem nada».
Referindo-se à apresentação de Maria ao humilde Juanito, o Papa disse que “naquela madrugada de dezembro de 1531, tinha lugar o primeiro milagre que se tornará depois a memória viva de tudo o que guarda este Santuário. Naquele amanhecer, naquele encontro, Deus despertou a esperança de seu filho Juan, a esperança do seu povo”.
“Naquele amanhecer, Deus aproximou-se e aproxima-se do coração atribulado, mas resistente, de tantas mães, pais, avós que viram os seus filhos partirem, viram-nos perdidos ou mesmo arrebatados pela criminalidade.”
Na construção do outro santuário – o santuário da vida, o das nossas comunidades, sociedade e culturas –, ninguém pode ser deixado de fora. “Todos somos necessários – observou o Papa –, sobretudo aqueles que normalmente não contam, porque não estão à altura das circunstâncias ou não contribuem com o capital necessário para a sua construção.”
“O santuário de Deus é a vida dos seus filhos, de todos e em todas as condições, especialmente dos jovens sem futuro, expostos a uma infinidade de situações dolorosas e arriscadas, e dos idosos sem reconhecimento, esquecidos em tantos cantos. O santuário de Deus são as nossas famílias, que precisam do mínimo necessário para se formar e sustentar. O santuário de Deus é o rosto de tantos que encontramos no nosso caminho.”

As lágrimas dos que sofrem não são estéreis

Após citar um Hino Litúrgico dedicado a Maria, que expressa a proteção consoladora da Virgem, Francisco lembrou as palavras asseguradoras da Mãe, que nos dão a certeza de que “as lágrimas daqueles que sofrem, não são estéreis. São uma oração silenciosa que sobe até ao céu e que, em Maria, encontra sempre lugar sob o seu manto”. N’Ela e com Ela, Deus faz-se irmão e companheiro de estrada, carrega conosco as cruzes para não deixar as nossas dores esmagar-nos.
Francisco concluiu ressaltando que também hoje Maria volta a enviar-nos; hoje repete para nós: “Sê o meu mensageiro, sê o meu enviado para construir muitos santuários novos, acompanhar tantas vidas, consolar tantas lágrimas”:
“Sê o meu mensageiro – diz-nos – dando de comer aos famintos, de beber aos sedentos; oferece um lugar aos necessitados, veste os nus e visita os doentes. Socorre os prisioneiros, perdoa a quem te fez mal, consola quem está triste, tem paciência com os outros e sobretudo implora e invoca o nosso Deus.”
Os milhares de fiéis e peregrinos presentes, mais de 40 mil ao todo, viveram com grande emoção e participação a visita do Papa Francisco ao maior santuário mariano do mundo, todos os anos visitado por vinte milhões de peregrinos. A celebração marcou o ponto alto e último compromisso deste primeiro dia de atividades do Santo Padre em terras mexicanas.

Homilia do Santo Padre na Santa Missa de Domingo

Na quarta-feira passada, começamos o tempo litúrgico da Quaresma; nele, a Igreja convida-nos a preparar-nos para a celebração da grande festa da Páscoa. É um tempo especial para lembrar o dom do nosso Baptismo, quando fomos feitos filhos de Deus. A Igreja convida-nos a reavivar o dom recebido para não o deixar cair no esquecimento como algo passado ou guardado numa «caixa de recordações». Este tempo de Quaresma é uma boa ocasião para recuperar a alegria e a esperança que nos vem do facto de nos sentirmos filhos amados do Pai. Este Pai que nos espera para livrar-nos das vestes do cansaço, da apatia, da desconfiança e revestir-nos com a dignidade que só um verdadeiro pai e uma verdadeira mãe sabem dar aos seus filhos, as vestes que nascem da ternura e do amor.
O nosso Pai é pai duma grande família: é Pai nosso. Sabe ter um amor, mas não gerar e criar «filhos únicos». É um Deus que Se entende de família, de fraternidade, de pão partido e partilhado. É o Deus do «Pai Nosso», não do «pai meu e padrasto vosso».
Em cada um de nós, está inscrito, vive aquele sonho de Deus que voltamos a celebrar em cada Páscoa, em cada Eucaristia: somos filhos de Deus. Um sonho vivido por muitos irmãos nossos no decurso da história. Um sonho testemunhado pelo sangue de tantos mártires de ontem e de hoje.
Quaresma: tempo de conversão, porque experimentamos na vida de todos os dias como tal sonho se encontra continuamente ameaçado pelo pai da mentira – ouvimos no Evangelho o que fazia com Jesus –, por aquele que quer separar-nos, gerando uma família dividida e conflituosa. Uma sociedade dividida e conflituosa; uma sociedade de poucos e para poucos. Quantas vezes experimentamos na nossa própria carne ou na carne da nossa família, na dos nossos amigos ou vizinhos a amargura que nasce de não sentir reconhecida esta dignidade que todos trazemos dentro. Quantas vezes tivemos de chorar e arrepender-nos, porque nos demos conta de não ter reconhecido tal dignidade nos outros. Quantas vezes – digo-o com tristeza – permanecemos cegos e insensíveis perante a falta de reconhecimento da dignidade própria e alheia.
Quaresma: tempo para regular os sentidos, abrir os olhos para tantas injustiças que atentam directamente contra o sonho e o projecto de Deus. Tempo para desmascarar aquelas três grandes formas de tentação que rompem, fazem em pedaços a imagem que Deus quis plasmar.
As três tentações de Cristo… Três tentações do cristão que procuram arruinar a verdade a que fomos chamados. Três tentações que visam degradar e degradar-nos.
Primeira, a riqueza, apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para «os meus». É conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. Tal riqueza é pão que sabe a tristeza, amargura e sofrimento. Numa família ou numa sociedade corrupta, este é o pão que se dá a comer aos próprios filhos. Segunda tentação, a vaidade: a busca de prestígio baseada na desqualificação contínua e constante daqueles que «não são ninguém». A busca exacerbada daqueles cinco minutos de fama que não perdoa a «fama» dos outros. E, «alegrando-se com a desgraça alheia», abre-se caminho à terceira tentação, a pior, a do orgulho, ou seja, colocar-se num plano de superioridade de qualquer tipo, sentindo que não se partilha «a vida comum dos mortais» e rezando todos os dias: «Dou-Vos graças, Senhor, porque não me fizestes como eles».
Três tentações de Cristo… Três tentações que o cristão enfrenta diariamente. Três tentações que procuram degradar, destruir e tirar a alegria e o frescor do Evangelho; que nos fecham num círculo de destruição e pecado.
Por isso vale a pena perguntarmo-nos: Até que ponto estamos conscientes destas tentações na nossa vida, em nós mesmos? Até que ponto nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida? Até que ponto estamos convencidos de que cuidar do outro, preocupar-nos e ocupar-nos com o pão, o bom nome e a dignidade dos outros seja fonte de alegria e de esperança?
Escolhemos Jesus e não o diabo. Se vos recordais do que escutamos no Evangelho, Jesus não responde ao demónio com qualquer palavra própria, mas responde-lhe com as palavras de Deus, com as palavras da Sagrada Escritura. Com efeito, irmãs e irmãos, – fixemo-lo bem na cabeça – com o demónio não se dialoga, não se pode dialogar, porque sempre nos ganhará. Só a força da Palavra de Deus o pode derrotar. Nós escolhemos, não o diabo, mas Jesus; queremos seguir os seus passos, mas sabemos que não é fácil. Sabemos o que significa ser seduzidos pelo dinheiro, a fama e o poder. Por isso, a Igreja oferece-nos este tempo da Quaresma, convida-nos à conversão com uma única certeza: Ele está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo aquilo que degrada, degradando-se ou degradando a outros. É o Deus que tem um nome: misericórdia. O seu nome é a nossa riqueza, o seu nome é a nossa fama, o seu nome é o nosso poder. E é no seu nome que repomos a nossa confiança, como diz o Salmo: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». Têm a coragem de repetir isto juntos? Três vezes: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». «Vós sois o meu Deus, em Vós confio».
Que, nesta Eucaristia, o Espírito Santo renove em nós a certeza de que o seu nome é misericórdia e nos faça experimentar, em cada dia, que «o Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus», sabendo que com Ele e n’Ele sempre nasce e «renasce (…) a alegria» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 1).

O primeiro rosário de um pastor protestante

Fez bastante barulho, em abril de 2013, a conversão ao catolicismo do pastor pentecostal portorriquenho Fernando Casanova. Desde então, ele se tornou um valioso defensor da Igreja com seu assombroso domínio da bíblia e seu estilo de oratória apaixonado e de coração aberto.
Fernando mesmo relata o lento e doloroso processo da suaconversão ao catolicismo: foram cinco anos, depois de muitos outros de prestigioso serviço dentro da sua igreja protestante.
O processo de conversão começou com a pesquisa bíblica da Igreja única e unida fundada por Jesus Cristo, já que Fernando se desconcertava com a proliferação contínua de grupos e igrejas protestantes. Mas seu afã nesta pesquisa tinha uma restrição clara: a meta de “não ser católico”.
Só que o momento-chave da sua busca interior se deveu precisamente à Eucaristia católica.
Ao tomar a decisão de se converter ao catolicismo e comunicá-la à sua esposa, ela, protestante convencida, preferiu a separação.Homem de família e fiel ao matrimônio, Fernando teve de passar meses sem conviver com a esposa e os três filhos, martirizado pelo mistério do porquê de Deus ao permitir tamanha dor quando ele estava, afinal, seguido o caminho certo.
Em suas pregações, ele narra, com muito sentimento, que, ao entrar em uma capela para buscar a força de Deus no meio da sua situação dolorosa, viu sobre um dos bancos da igreja um rosário. Entendeu que Deus lhe pedia que o rezasse. Para ele, mesmo convertido firmemente, ainda era muito difícil, por causa das suas origens evangélicas, rezar o terço. Mas Fernando olhou para Nossa Senhora e lhe disse que estava disposto a rezar o rosário com dois pedidos:
“Que minha esposa e eu nos reconciliemos”
“Que minha esposa, meus filhos e eu entremos em comunhão plena com a Igreja do teu Filho”
Conta ele: “Rezei o terço torpemente e sem fé, pedindo perdão a Deus a cada dez ave-marias caso isso não lhe agradasse”.
No mesmo dia, Fernando Casanova se reencontrou com a família e se reconciliou com a esposa.
Mera coincidência? Pois bem. O processo de conversão da família foi continuando. Finalmente, na catedral da capital de Porto Rico, o ex-pastor evangélico, sua esposa e seus filhos foram recebidos formalmente na Igreja católica. E em que dia aconteceu isso? Por mais uma “coincidência”, foi exatamente um ano depois daquele “rosário mal rezado”.
O próprio Fernando lamenta não ter conservado aquele terço que, um ano antes, tinha encontrado abandonado sobre um banco da igreja. Ele não apenas gostaria de guardá-lo: Fernando gostaria que, depois de morto neste mundo, fosse enterrado com aquele rosário envolto em suas mãos agradecidas.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Resiliência: você verga ou se quebra? 3 coisas sobre flexibilidade que você deveria saber

Você é uma pessoa flexível ou você não aceita mudanças?
No momento de iniciar a redação desse artigo, me vem à cabeça uma frase-lema de alguns e frase-tabu de outros: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”
Há quem seja profundo conhecedor de verdades e, por conhecer o que é certo e errado, tem essas certezas infalíveis e imutáveis sobre tudo. Contudo, o acumular certezas e verdades pode ser doloroso e emocionalmente extenuante.
Do ponto de vista psicológico, essa inflexibilidade pode representar possibilidades de desenvolver distúrbios e transtornos os mais diversos. Aqui, três sinais de que você poderia necessitar inclusive de apoio profissional:
1- Você sente necessidade de estar sempre com a razão
Se você precisa que todos reconheçam que você é quem está certo, sua atitude pode, na verdade, esconder seu medo de estar errado, de não saber escolher ou de ter feito escolhas erradas em sua vida. Trabalhar seus receios, seus medos, suas incertezas que embora muito bem escondidas, devem existir, é uma forma de assegurar sua saúde mental.
2- Você não muda de opinião
Muitas pessoas tem grandes dificuldades em mudar de opinião. Do mesmo modo, tem dificuldades em reconhecer que suas verdades, suas crenças, suas opiniões já não condizem mais com a realidade tal como se apresenta.
3- Você não muda de atitude
Há quem prefira “dar murros em ponta de faca”, reproduzindo velhos padrões comportamentais, se prejudicando, obtendo resultados indesejáveis, apenas por não querer ou conseguir mudar de atitude.
Esses problemas requerem atenção. Ser flexível, adaptar-se, mudar de ideia e de atitude, reconhecer a obsolência de nossas velhas certezas, abandoná-las e adotar a resiliência e a transformação como modo de sobrevivência são atitudes fundamentais para que possamos viver em harmonia em um mundo de diferenças e de questionamentos constantes.
A resiliência é, justamente, a capacidade de adaptar-se. Quando exercemos uma força sobre as extremidades de um bambu, por exemplo, ele se dobra, verga. Isso faz com que, depois da tempestade e do vento agressivo, ele possa voltar. Até há outras árvores com raízes mais profundas, com troncos mais vistosos mas que não se dobram ao vento. acabam, por ser inflexíveis, sucumbindo a ele.

DESTAQUES “Tanto no Oriente quanto na Europa, é a Virgem Maria quem vai nos salvar”

O padre dominicano Najib Michail, refugiado iraquiano em Erbil, foi o convidado de honra de uma conferência realizada em Paris no dia 2 de fevereiro em apoio aos cristãos do Oriente.
Aleteia conversou com ele na França.
Aleteia: Qual é o sentimento religioso dos refugiados em Erbil?
Pe. Najib: Eu acho que, hoje, nós não temos mais o mesmo discurso de um ano atrás. Nós estávamos muito otimistas e esperávamos voltar para casa assim que Mossul e Nínive fossem libertadas. Infelizmente, as pessoas tiveram que enxergar, com mais realismo, que a libertação não está chegando. Sinjar foi libertada já faz seis ou sete meses, mas ainda não podemos voltar, e vai ser a mesma coisa para a planície de Nínive e Mossul. Há uma perda de confiança entre as pessoas, religiões, raças.
Mesmo assim, os cristãos não perderam a fé, que, na minha opinião, permanece muito enraizada. Eles estão ligados à sua terra, e até os que estão no processo de deixá-la para trás dizem que é só temporário e que eles vão voltar para casa um dia. Embora muito poucos retornem mesmo, a boa semente nunca morre e vai permanecer na Mesopotâmia. A fé não é coisa minha, mas do Espírito Santo. Deus nos deu a graça da fé, então eu tenho que fazê-la crescer, mas o proprietário é Deus.
Aleteia: Os refugiados cristãos vêem na desgraça a cruz e um martírio salutar?
Pe. Najib: Deus, sem dúvida, tem planos salutares para todos os seres humanos, sejam eles cristãos, judeus, muçulmanos ou ateus. Pessoalmente, eu vejo a cruz plantada na terra sobre o Gólgota, nesta realidade selvagem, mas elevada para o céu à medida que recebemos a nossa força de Deus. Ao mesmo tempo, os dois braços da Cruz nos fazem ir aos quatro cantos do mundo para abraçar a humanidade e levar a Boa Nova, o Amor de Cristo, o Amor da Ressurreição. Eu tenho amigos muçulmanos que começam a deixar o islã porque eles percebem que não podemos viver na violência. Há muitos muçulmanos que são pessoas profundamente boas e que se dão conta de que juntos nós podemos derrotar o terrorismo e o obscurantismo que deixa os crentes aprisionados a textos datados, que não podem ser aplicados em nosso contexto moderno.
Aleteia: Vocês conseguem celebrar a missa? Vocês têm hóstias?
Pe. Najib: É claro! Nós temos pão, uvas, tudo. Não temos nenhum problema neste ponto. Muitas pessoas, nas horas difíceis, se apegam à fé tremendamente. Nos dois campos de refugiados, Al Amal (“A Esperança”) e Al Karma (“A Vinha”), até falta espaço para as pessoas se sentarem durante a missa. Todas as igrejas em Erbil estão cheias de fiéis que vão comungar e rezar. Nos dois centros, todos os dias e sem precisarmos pedir às pessoas, elas rezam o rosário às 10h da noite. Os fiéis rezam e cantam à Virgem Maria e depois vão dormir. Eu acredito, e isto também é válido para a Europa, que é a Virgem Maria quem vai nos salvar. Temos que pedir, rezar o rosário, dizer que somos cristãos, que acreditamos em um Deus amoroso, e não hesitar. Os terroristas não hesitam em matar pessoas, então por que deveríamos ter vergonha de orar por eles e amá-los?
Entrevista realizada por Aliénor Gamerdinger

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A oração mais simples do mundo

Depois da minha libertação, muitas pessoas me disseram: “Padre, na prisão o senhor teve muito tempo para orar”. Não é tão simples assim. O Senhor me permitiu experimentar toda a minha fraqueza, minha fragilidade física e mental.
O tempo passa lentamente na prisão, particularmente durante o isolamento. Imaginem uma semana, um mês, dois meses de silêncio… São terrivelmente longos, mas quando se transformam em anos, tornam-se uma eternidade.
Um provérbio vietnamita diz: “Um dia na prisão é como mil outonos fora dela”. Ali houve dias em que, reduzido ao maior cansaço, à doença, não consegui rezar uma única oração!
Vem-me à lembrança uma história, a do velho Jim. Todos os dias, às doze horas, Jim entrava na igreja, não mais do que dois minutos, depois saía. O sacristão era muito curioso e, um dia, deteve Jim e perguntou-lhe:
– Por que vem aqui todos os dias?
– Venho para rezar.
– Impossível! Que oração você pode fazer em dois minutos?
– Sou um velho ignorante, rezo a Deus à minha maneira.
– Mas o que é que você diz?
– Digo: “Jesus, estou aqui, sou o Jim”. E vou embora.
Passam os anos. Jim, sempre mais velho, doente, entra no hospital, na enfermaria dos pobres. Parece que Jim vai morrer depressa. O padre e a freira enfermeira estão perto de sua cama.
– Jim, diga uma coisa: por que é que, desde que você entrou nesta enfermaria, tudo mudou para melhor, e as pessoas ficaram mais contentes, felizes e amigas?
– Não sei. Quando eu posso caminhar, vou aqui e ali, visitando a todos, saúdo toda a gente, chamo toda a gente, faço-os rir, faço-os felizes. Com o Jim estão todos sempre felizes.
– Mas por que é que você é feliz?
– Vocês, quando recebem uma visita todos os dias, não se sentem felizes?
– Certamente. Mas quem é que o visita? Nunca vimos ninguém.
– Quando entrei nesta enfermaria, pedi duas cadeiras: uma para você e outra para o meu visitante, não veem?
– Quem é o seu visitante?
– É Jesus. Antes eu ia à igreja visitá-lo, agora já não posso. Então, às doze horas, Jesus vem.
– E o que é que Jesus lhe diz?
– Diz: “Jim, estou aqui, sou Jesus”…
Antes de morrer, vimo-lo sorrir e fazer um gesto com a mão em direção à cadeira próxima da sua cama, convidando alguém a sentar-se. Sorriu de novo e fechou os olhos.
Quando me faltam forças e não consigo sequer recitar minhas orações, repito: “Jesus, estou aqui, sou o Francisco. Isso me enche de alegria e consolo, experimento que Jesus me responde: “Francisco, estou aqui, sou Jesus”.
(Do livro “Cinco pães e dois peixes“)

DESTAQUES Conheça 17 santos que enfrentaram o diabo – e sobreviveram para contar sua história

A existência do Diabo e de outros espíritos malévolos é atestada tanto pelo Catecismo da Igreja como pelas Sagradas Escrituras, e podemos encontrar referências a estas entidades em muitos escritos dos Padres da Igreja.
A existência destes seres é também confirmada pelo testemunho de muitos santos, e este é o tema central do novo livro de Paul Thigpen, Saints Who Battled Satan(Santos que Enfrentaram Satã, em tradução livre). Thigpen, renomado escritor e jornalista, é Doutor em Estudos Religiosos pela Universidade de Emory. Lecionou teologia em diversas universidades norte-americanas e é autor de mais de 40 livros e centenas de artigos – seus trabalhos foram traduzidos para mais de 12 idiomas, e publicados em todo o mundo. Em Saints Who Battled Satan, o professor Thigpen reconta as histórias de 17 santos, homens e mulheres de Deus que, em diversos contextos históricos e geográficos, deram testemunho de seus embates pessoais contra as hostes demoníacas. Suas histórias servem de inspiração e conforto para todos os Cristãos dos dias de hoje.
Thigpen atualmente é editor da TAN Books, tradicional editora Católica fundada em 1967 e sediada na Carolina do Norte, EUA. Inicialmente ordenado pastor protestante, converteu-se ao Catolicismo em 1993. Nesta entrevista concedida à Aleteia, Dr. Thigpen fala de seu novo livro, que considera uma continuação de seubest-seller Manual for Spiritual Warfare (Um Manual para a Guerra Espiritual).
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Zoe Romanowsky: São muitas as narrativas de batalhas travadas pelos santos contra o Diabo. Qual critério utilizou para escolher apenas 17?
Paul Thigpen: De fato, não foi uma tarefa fácil! Vários fatores foram levados em consideração. Primeiramente, a fim de enfatizar o caráter universal do combate espiritual, quis incluir santos de diversas culturas e de diversos contextos históricos. Os santos que escolhi provém de 12 diferentes países da Ásia, África, Europa, América do Norte e América do Sul. Há representantes de cada século desde os primórdios do Cristianismo – exceto do século 21, que acaba de começar.
Uma segunda preocupação foi a de incluir narrativas e passagens que pudessem ilustrar os princípios já discutidos em meu livro anterior, Manual for Spiritual Warfare. Desejava apresentar aos meus leitores as histórias de homens e mulheres de “carne e osso”, testemunhas diretas das manifestações ordinárias e extraordinárias do Diabo. Procurei ainda mostrar como os santos fazem uso das “armas espirituais” que temos à mão, tais como a oração, o estudo das Escrituras e os Sacramentos; quis enfatizar como o cultivo das virtudes Cristãs lhes serviu de armadura espiritual em meio aos mais violentos confrontos; e como, nos momentos mais difíceis, estes santos solicitavam a assistência de seu Comandante, Jesus Cristo, bem como de seus camaradas de campanha: os santos que travaram semelhantes batalhas antes deles, os anjos, e, em especial, Nossa Senhora.
Finalmente, um fator decisivo foi, sem dúvida, a disponibilidade de informação biográfica pertinente. Para cada santo selecionado, era preciso ter à mão material suficiente para redigir um capítulo completo. Mesmo assim, em minha pesquisa acabei por acumular uma extensa coleção de citações e histórias incompletas – boas demais para rejeitar – que serviriam de matéria-prima para uma seção adicional do livro.
Zoe Romanowsky: Quais são os meios mais comuns empregados por Satã por nos abordar ou nos tentar?
Paul Thigpen: Em geral, somos capazes de discernir aqueles pensamentos que nos vem à mente por sugestão ou inspiração de uma fonte exterior, daqueles que nos ocorrem por conta de uma sugestão de nossos próprios sentidos e faculdades intelectuais. Os demônios, sendo desprovidos de corpo físico, podem transmitir ideias e pensamentos diretamente às nossas mentes. Esta é uma estratégia furtiva, uma vez que se não formos capazes de discernir tais influências, podemos tomar erroneamente pensamentos por eles insinuados como genuinamente nossos. Satã tipicamente busca nos influenciar por meio de ilusões, acusações, dúvidas (em especial a respeito do amor de Deus para conosco); ou por provocações, no afã de despertar em nós vaidade, raiva, luxúria, desespero; ou ainda incitando-nos a desejar aquilo que nos é proibido, ou mesmo buscar por meios ilícitos algo que poderia ser benéfico.
Zoe Romanowsky: Citaria algum dos santos que tenha lidado com Satã de forma pouco usual dentre os demais?
Paul Thigpen: Lembro-me do episódio em que o Diabo procurou tentar São Bento por meio da luxúria. O espírito maligno trouxe à sua memória a imagem de uma mulher muito atraente que ele conhecera quando jovem. A lembrança desta mulher inflamou seu coração, a ponto de quase fazê-lo sucumbir e entregar-se. Neste momento, porém, avistou à sua frente uma touça repleta de urtigas e espinhos afiados. Imediatamente despiu-se de seu hábito e lançou-se no arbusto, arrastando-se por entre os espinhos até que seu corpo estivesse coberto de feridas; e assim a tentação o abandonou.
Zoe Romanowsky: Há santos especialmente indicados para nos amparar em determinados tipos de tentações? Poderia mencionar alguns deles?
Paul Thigpen: A tradição Católica nos encoraja a apelar pela assistência dos santos que tenham travado batalhas semelhantes às nossas. Assim, ao ser tentado pela luxúria, recomendaria buscar pelo auxílio de São Bento; nos momentos de cólera, pediria a assistência de São Jerônimo; para resistir ao pecado da soberba, a Santo Inácio de Loyola; para não desanimarmos em nossa caminhada, a intercessão de Santa Teresa de Ávila; e nos momentos de desespero, Santo (Padre) Pio, por exemplo.
Zoe Romanowsky: Se pudesse imaginar algo como um “kit de sobrevivência espiritual”, quais seriam os itens mais importantes que este deveria conter?
Paul Thigpen: Bem, acho que era precisamente o que tinha em mente quando escrevia Manual for Spiritual Warfare. O livro oferece uma visão geral do ensinamento da Igreja sobre como proceder quando em batalha espiritual. Discute ainda alguns dos “recursos de batalha” cultivados pela tradição Católica – doutrina pertinente, textos diversos, citações e episódios das vidas dos santos, além de orações e cantos.
Zoe Romanowsky: Quais são as virtudes mais importantes para mantermos o mal à distância, e como utilizá-las na prática como proteção?
Paul Thigpen: Desde os tempos mais remotos, um sem número de conselheiros espirituais Cristãos têm recomendado a humildade como a virtude fundamental; é o solo no qual todas as demais virtudes florescem. Por essa razão, destaco-a como a mais importante de todas as virtudes. Para citar um exemplo prático de como a humildade pode nos proteger das investidas do Diabo, considere uma história contada pelos antigos padres do deserto, a respeito de um monge conhecido por sua profunda humildade. Este orava em recolhimento quando recebe a visita do próprio Diabo, disfarçado de anjo de luz. O Diabo diz a ele: “Sou o Anjo Gabriel, e fui enviado a você!”, com o intuito de tentá-lo pela soberba. Mas o humilde monge não se deixa enganar, respondendo-lhe: “Você deve estar enganado. Certamente foi enviado a outra pessoa; não sou digno de receber a visita de um anjo”. O Diabo então se retira, desapontado e derrotado pela humildade do monge.
Zoe Romanowsky: Por que algumas pessoas parecem ser mais assediadas pelo Diabo do que outras?
Paul Thigpen: Um padrão que se repete nas biografias de muitos santos é o seguinte: quando o Diabo percebe que uma pessoa irá causar danos importantes a seu império infernal, passa a atacá-la furiosamente. Foi assim com Santo Antão, ao demonstrar sua firme decisão de viver como santo eremita no deserto; também com Santa Catarina, quando decidiu consagrar-se a Cristo ainda criança; foi o que ocorreu ao Santo (Padre) Pio no momento em que ingressou à ordem dos Capuchinhos. Foi nestes momentos que o Inimigo de suas almas realizou seus mais violentos ataques, na tentativa de impedí-los. Ele sabia que se porventura tivesse êxito em submeter estes homens e mulheres, as grandes obras que lhes seriam confiadas por Deus seriam sabotadas.
Penso que estar ciente desta verdade deva servir para nos confortar nos momentos difíceis. Se enfrentamos violenta oposição por parte das hostes diabólicas, talvez isso signifique que Deus tenha grandes planos para realizar por meio de nós. Devemos sempre ter em mente a advertência feita por São João Maria Vianney: “O maior de todos os males está em não experimentar ser tentado, pois assim temos motivos para crer que o Diabo já nos trata como sua propriedade.”
Zoe Romanowsky: Como podemos identificar as influências verdadeiramente oriundas de Satã? Como evitar que nos tornemos paranóicos, excessivamente preocupados com o mal?
Paul Thigpen: As Escrituras nos falam a respeito de nossa batalha contra o “mundo”, a “carne” e contra o Diabo (ver Tiago 4:1-7). É verdade que nem sempre nossos embates espirituais são diretamente provocados pelo Diabo. Mesmo assim, é preciso ter em mente que, nestes momentos, ele se aproveita para tentar fazer-se mais presente e exercer com maior intensidade sua influência em nossas vidas. Devemos sempre acompanhar suas movimentações com grande atenção. Acredito que se formos capazes de cultivar o hábito de reconhecer a origem de nossos pensamentos, grande parte de nossa batalha já estará vencida. Este tipo de discernimento é cultivado por meio das disciplinas espirituais tradicionalmente recomendadas pela Igreja: oração frequente, participação na Missa, Adoração Eucarística, recepção regular dos sacramentos – em especial da Reconciliação e da Eucaristia, bem como o estudo das Escrituras (até mesmo sua memorização) e o aconselhamento junto a tutores autorizados.
A recusa em ceder a qualquer paranóia frente ao Inimigo é outro padrão constante nas biografias espirituais dos santos; eram capazes de conservar sua coragem e confiança inabalados porque tinham a convicção – como nos diz São João – de que quanto maior fosse o Deus que habita em nosso interior, tanto maior seria o Maligno presente no mundo (ver 1 João 4:4). Embora levassem o Diabo muito a sério, também demonstravam uma espécie de “desprezo sagrado” por ele; sabiam que, em última análise, tratava-se de um inimigo derrotado. É curioso ver que, mesmo quando o combate se mostrava tão violento a ponto de castigar seus corpos, alguns santos atribuíam apelidos jocosos aos espíritos malignos que os atormentavam. Santa Catarina chamava o seu de “ladrãozinho” (porque tentava roubar as almas); São Pio referia-se ao demônio que o atacava por “ogro”; Santa Gemma Galgani chamava-o “chiappino” (“assaltante”); e São João Vianney apelidava seu algoz de “grappin” (“garra” ou “tenaz”, em francês). “Ah, grappin e eu?”, brincou ele certa vez, “já somos quase amigos!”.
Zoe Romanowsky: Em sua opinião, qual seria a melhor maneira de convencer um incrédulo de que Satã de fato existe e opera?
Paul Thigpen: Ao falar com pessoas incrédulas, peço-lhes primeiramente que considerem a evidência acumulada a esse respeito. Ao longo da história, povos de culturas muito diferentes e das mais diversas regiões do globo têm afirmado a existência de espíritos malignos – mesmo quando discordam sobre outras realidades espirituais. Mesmo nos dias de hoje, ouvimos pessoas cultas e inteligentes atestarem encontros pessoais com forças demoníacas. Ora, esta parece ser uma ideia tão universalmente aceita que deve ter algum fundamento. Claro, é preciso reconhecer, muitas doenças e transtornos mentais foram e ainda são erroneamente atribuídos à influência de demônios. Mas a miríade de crendices e superstições populares a respeito de espíritos malignos não constitui um argumento consistente contra a sua existência.
Os céticos poderiam exigir evidências mais “científicas”. Mas, que tipo de evidência relevante a esse respeito poderia ser obtida pelo método científico? As ciências naturais sondam a realidade por meio de conceitos como espaço, tempo, energia, movimento; as ciências humanas analisam o comportamento humano. Demônios não têm corpo físico, nem tampouco são humanos. Como poderíamos submetê-los aos escrutínios de nossa ciência? Não podemos colocá-los em tubos de ensaio, nem submetê-los aos métodos da psicanálise. O máximo que os cientistas podem fazer é observar as influências dos demônios no mundo físico ou no comportamento das pessoas; mas a mentalidade “científica” os levará a buscar, sempre, explicações alternativas para tais fenômenos – mesmo quando estas se mostrarem claramente inadequadas.
Ao falar com católicos, fundamentaria minha argumentação nas numerosas passagens da Bíblia que atestam a existência do Diabo e de seus aliados malignos. Os Evangelhos atestam em particular que o próprio Jesus Cristo dialogou com Satã; a discussão entre Nosso Senhor e o Diabo, transcorrida no deserto, não se constitui tão somente num diálogo interior acerca das tentações.
Cristo referiu-se aos demônios em diversas ocasiões, e a atividade de expulsar maus espíritos de pessoas endemoniadas constituiu aspecto marcante e indispensável de sua missão. Alguns estudiosos têm sugerido que, nestes episódios, Cristo estaria na verdade simplesmente curando enfermidades físicas ou psíquicas, erroneamente tomadas por demônios pelas pessoas daquele tempo. Em resposta a tais argumentos, precisamos apenas lembrar que, conforme atesta o Evangelho, ao menos em uma ocasião – obedecendo ordens de Cristo – demônios abandonaram seu hospedeiro humano para invadir os corpos de animais. Ora, não se pode transferir uma desordem médica de um homem para uma vara de porcos.
A realidade dos poderes demoníacos tem sido um elemento constante da doutrina da Igreja Católica desde sua instituição por Cristo, por meio de seus apóstolos. Estes, bem como seus sucessores, falaram e escreveram a respeito de Satã repetidamente. Ao longo dos séculos, todos os grandes mestres da Igreja têm corroborado sua existência.
A existência de Satã tem também sido reiterada em diversas declarações dos Papas e Concílios da Igreja; encontramos referências a ele também na liturgia. E, conforme nos mostra este livro, ao longo dos séculos um sem número de santos – pessoas cuja integridade moral e sanidade mental não pode ser questionada – deram testemunho de suas próprias batalhas pessoais contra agressores demoníacos. A obstinação em seguir rejeitando a veracidade destes fatos parece-me mais a expressão de uma crença cega e irracional